Bologna Children's Book Fair '13


The following post is the faithful account of my adventures at Bologna Children's Book Fair 2013. I'm sorry but given the length of this particular text, I only have it in portuguese. I hope one day I'll find the time to translate all of it properly. 






























A primeira vez que me falaram da Bologna Children's Book Fair (BCBF) foi no verão de 2010, quando escrevi a uma ilustradora que admirava muito, para pedir-lhe uma opinião sobre o meu trabalho.

Na altura, encontrava-me a estagiar como designer, e a minha ilustração era mais que verde. Nem sei onde fui arranjar a coragem de lhe enviar o mail, mas o que importa é que, para minha enorme alegria, a resposta foi rápida e extensa. Ela afirmava que eu tinha um longo caminho por percorrer, e que não devia ver isso como algo desanimador, mas sim prometedor, devido à liberdade que me dava para criar. Em seguida, desbobinava uma série de eventos, cada um com um nome mais aliciante que o anterior. No entanto, a minha imaginação ficou presa nesta frase: 'Bologna Children's Book fair - a maior feira de edição infanto-juvenil do mundo, a esta feira um ilustrador tem de ir pelo menos uma vez na vida!' Céus, era a Meca dos ilustradores!




Não pus nem pouco mais ou menos a hipótese de ir naquele ano. Ainda bem que não o fiz - tinha uma visão muito superficial do que se fazia lá! Supunha que era um espaço gigante cheio de livros infantis vindos de todas as partes do mundo, sem sonhar quão maior do que isso se tratava.

Em 2011 mudei-me para Barcelona, para realizar uma pós-graduação em Ilustração. Tive a graça de ter professores e colegas maravilhosos, ilustradores que conheciam a realidade do mercado e me abriram os olhos para as infinitas oportunidades que esta feira potencia. Era indispensável ir! Tanto se falava do assunto, que ponderei a viagem...
Acabei mais uma vez por não ir. Podia já ter noção do que realmente significava aquela feira, mas não me encontrava preparada como ilustradora. Não tinha um portefólio consistente nem qualquer tipo de contacto pré-estabelecido com editoras, e suspeito que isso teria sabotado o investimento na viagem. Jurei a mim mesma que a partir dali me prepararia para em 2013 apostar na BCBF.




Quando abriram as candidaturas para a Exposição de Ilustradores da BCBF 2013, concorri, e, mesmo não ficando seleccionada, ganhei acesso gratuito a todos os dias da feira! (Aproveito para escrever como senti reduzida, quando saiu a lista das 3147 candidaturas, a participação portuguesa no concurso. Deixo também os meus entusiastas parabéns à Mariana Rio, a única seleccionada para a exposição, com o seu delicioso trabalho de carimbos e cores cheias de força! Para se deleitarem com o trabalho dela, mergulhem aqui ou aqui.)



Long story short, a 25 de Março estava a apanhar o avião para Bologna. Confesso que saltei quando cheguei ao recinto da entrada...saltei como uma miúda! A feira é enorme e bela! Nunca tinha visto tantos livros para crianças juntos na minha vida...para cada lado por onde olhava, havia algo interessante ou especial. Também foi bom para confirmar que aquele era o meu universo. Senti-me em casa, a ilustração estava por todo o lado.


Agora, acho que pode ser útil, para jovens ilustradores como eu, o acesso a alguma info em relação à BCBF. Se não são ilustradores e/ou já estão fartos de ler, por favor saltem até aos três ***


Coisas a não deixar de levar na mala para a BCFB


1) A primeira coisa a levar na mala é uma grande dose de lata. Perdoem-me se a palavra não é muito elegante, mas não se trata de pro-actividade, atitude ou persistência. É mesmo lata. Entendam, quando um editor que após horas e horas de reuniões e entrevistas com outros editores, agências de direitos e ilustradores, tem finalmente um minuto para relaxar, e nesse um minuto um jovem ilustrador lhe pergunta entusiasticamente 'Por favor, pode ver o meu portefólio?', não estamos a falar de persistência. E mesmo que pareça um abuso, acreditem que nem o editor nem o ilustrador se vão arrepender do atrevimento, se à primeira página do portefólio surgir um sorriso ou uma expressão aprovadora por parte do primeiro.




2) A segunda coisa a levar é, se o tiverem, um projecto de livro. Soube que antes não era tanto assim, mas hoje as editoras, apesar de também quererem ver os portefólios, desejam ver livros, e estão particularmente interessadas em vê-los em fase embrionária. Os livros sem texto (ou silent books) começam a ganhar muito terreno, e há bastantes editoras interessadas em projectos desse tipo.

3) A terceira é uma boa peça promocional. Um bom cartão de visita ou uma surpresa engraçada que inclua o vosso contacto para deixar às pessoas com quem falarem. Acima de tudo, algo que desperte sorrisos e que seja um bom quebra-gelo. Quanto mais criativo e inteligente melhor! Ajudou-me muito, principalmente quando falava com editoras com quem não tinha entrevista marcada, a série de postais ilustrados que fiz para a feira. Mesmo que me respondessem mal-humorados, sorriam sempre ao receber os postais - toda a gente gosta de presentes.



4) Não vão para a BCBF sem terem entrevistas agendadas com algumas editoras. Existem casas editoriais que se predispõem a receber ilustradores sem entrevista marcada, mas as filas são imensas e nada vos garante que o vosso estilo é de alguma maneira adaptável às editoras em questão. Estive em várias dessas filas, e apenas duas vezes consegui o cartão do director editorial. Pelo contrário, praticamente todas as entrevistas que já tinha marcadas trouxeram bons frutos e contactos. Quão cedo se deve começar a preparar isto? Se a Feira é em Março, desde Janeiro, porque ainda é demorado percorrer a lista das editoras presentes, ver quais delas interessam, enviar-lhes mails, esperar respostas, e agendar entrevistas.


5) Um companheiro ilustrador. Se puderem, não vão sozinhos. Um colega ou amigo ilustrador é uma grande ajuda e apoio, principalmente alguém com gostos comuns aos vossos, a nível de ilustração e traços editoriais. No mínimo são quatro olhos a vasculhar os pavilhões, quatro mãos a desfolhar livros, duas a bocas a dizer 'Tens de ver isto! Anda cá!'. Cada um, com as diferentes percepções que vai tendo das suas próprias entrevistas, vai enriquecendo o outro com a sua experiência. (E para as ilustradorAs, dá sempre jeito ter por perto uma amiga que lhe segure o portefólio enquanto se maquilha...)






Três conselhos para lá das portas da BCBF

Já estão lá dentro? Yey, vão adorar! Mas não se concentrem apenas nos editores, como aqueles cavalos com palas nos olhos. Olhem à volta, há imensos ilustradores, e é incrível conhecê-los. Vejam outros portefólios, troquem cartões, saibam em que escolas estudaram eles...Se estiverem calados e cerrados, dificilmente poderá acontecer que vos digam 'Sabes uma coisa, o teu trabalho está perfeito para a editora x ou para o mercado do país y. Tens mesmo de ir aos stand deles, é ali!'


Às vezes, mesmo quando já temos os pés bem assentes dentro da feira, há o medo: o meu estilo é demasiado alternativo/detalhado/minimalista/realista/surrealista/gordo/magro e nenhuma editora vai estar interessada nele...Mentira, gigantesca mentira! Na BCBF há espaço para todos os estilos e formas possíveis e imaginárias de ilustrar livros infantis. É só uma questão de persistência até encontrar as editoras certas!


O que de facto não pode faltar no portefólio de um ilustrador é ter um estilo. Corre muitas vezes uma ideia por aí, principalmente em Portugal, que quanto mais versátil uma pessoa for a nível de estilo, melhor - pode fazer mais coisas, ser pau para toda a obra. Errado. Talvez noutros universos seja assim, mas no mundo encantado da edição infantil, eles gostam de saber duas coisas: com o que podem contar e que o ilustrador tem a capacidade de levar uma história até ao fimIsto não quer dizer que um ilustrador não possa apresentar trabalhos pintados com acrílico e depois outros em digital, o que eles simplesmente não querem ver é um portefólio que pareça feito por um colectivo de 5 pessoas diferentes. Também não têm grande interesse em conhecer uma série de ilustrações soltas, mas sim a capacidade que um ilustrador tem ou não tem de contar visualmente a mesma história ao longo de várias ilustrações.



***


A edição infantil é o mercado editorial mais vasto e rentável do mundo, uma indústria extraordinariamente criativa, feita para um público exigente e maravilhoso. Num país territorialmente pequeno e urbano-centrista como o nosso, um jovem ilustrador está obrigado a abrir asas, a criar novos projectos e a procurar novos clientes! E a BCBF é um espaço previligiado para esses voos.


Espero ter conseguido passar este bichinho da curiosidade que deixaram dentro de mim em 2010. E se calhar vemo-nos na próxima BCBF.



2 comentários:

  1. Olá sara,
    Obrigada pelo teu feedback maravilhoso. Desejo muito ir à feira um dia na vida, mas tal como tu há uns tempos, ainda me estou a preparar, por isso obrigada pelo post.
    Ah e adorei os postais!

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    1. Olá Cat! De nada, fico muito feliz por ter ajudado, pois ajudar foi a principal razão pela qual escrevi este post. Força nesse desejo! E qualquer questão que te surja, pergunta à vontade :)

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